Hipnose

Hipnose clínica garante resultados eficazes em pouco tempo

Tratamento de ansiedade e depressão com a hipnose garante resultados definitivos e vida melhor. Mais de 1.700 alunos concluíram a formação em hipnose no Brasil em 2017.

Victor Lisita*¹

A mente sempre foi um objeto de estudo bastante curioso para a humanidade. Mesmo atualmente, ainda existem aspectos da consciência e subconsciência que impressionam até os mais estudiosos. É dela que surgem os anseios, os desejos e as reações, sendo um estado tão natural quanto a respiração e que guarda respostas e perguntas sobre determinada pessoa. Técnicas foram desenvolvidas e aprimoradas para ajudar no tratamento de doenças e obstáculos através da mente. Contudo, quando mal trabalhados ou até mesmo divulgados de maneira surreal, métodos podem ser envoltos em uma camada de preconceito. E um desses procedimentos consiste em trabalhar com a mente em um estado de total atenção, a hipnose.

O hipnólogo e filósofo Lenilson Rezende explica que todos nós, em várias situações da vida, adentramos ao estado de hipnose de uma maneira natural. “Quando dirigimos um carro, por exemplo. Em alguns momentos, entramos em um nível de concentração que perdemos a noção de tempo e de espaço”, conta. Um estudo publicado no jornal Cerebral Cortex, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, selecionou 545 pessoas para entender quais regiões do cérebro são mais afetadas durante a hipnose. Os pesquisadores averiguaram que nenhuma parte do cérebro é, de fato, “desligada”, mas sim que ocorrem modificações na conexão em certas áreas, com separações e integrações acontecendo. De acordo com a pesquisa, a hipnose não representa a falta de consciência, mas um estado diferente dela.

Nesse momento, o profissional consegue acessar informações e capacidades, além de sugerir mudanças de comportamento e sentimentos, que podem ocasionar novos aprendizados. E é neste quesito que surge o medo da hipnose, mais especificamente pela restrição dela ao palco no Brasil. “Os profissionais que trabalham nessa área devem ter certo cuidado. É um trabalho interessante e que tem seus benefícios, mas algumas pessoas podem imaginar que se trata de alguém dominando a mente de outra”, afirma Lenilson. O hipnólogo cita o famoso exemplo de um indivíduo que come uma cebola achando que é uma maçã, e destaca que existem vantagens nisso. “Imagine os benefícios que esse trabalho pode ter na área de alimentação para quem é nutricionista”. Ele lembra um caso em que a cliente tinha dificuldades em comer salada e uma vontade quase incontrolável de comer doces. Após algumas semanas de tratamento, foi possível controlar o doce, e a salada começou a ser interessante.

Superação

Para administradora Cíntia Borges*², de 26 anos, a hipnose possibilitou que a forte ansiedade dela fosse superada e que ela passasse a olhar mais para si. “Eu sentia uma desconexão comigo, com o meu eu. Minha vontade era de que as coisas acontecessem ao mesmo tempo. Esse estado fez com que eu não tivesse uma relação legal com minha família, o que, consequentemente, influenciou meus outros relacionamentos”. Cíntia já havia procurado psiquiatras e psicólogos para ajudá-la, contudo foi o tratamento com a hipnose que trouxe os resultados mais significativos. “Antes, eu tinha indicação para usar remédio controlado, e hoje eu não preciso tomar”.

Para se ter uma noção de como a Ciência é séria e tem buscado ajudar cada vez mais pessoas, somente no Brasil, em 2017, o Hipnose Institute formou 1.790 alunos em 61 treinamentos. Lenilson explica que a ferramenta ainda não possui um conselho para reger as pessoas que a utilizam. Entretanto os conselhos que já aprovaram a hipnose delimitam como ela pode ser usada pelos profissionais que fazem parte das autarquias. “O Conselho de Odontologia foi o primeiro a desbravar a ferramenta, usando para o controle da dor, de hemorragia e do medo”, explica. De acordo com o hipnólogo, na Rússia existe o trabalho de hipnose com atletas para eles se desenvolverem melhor, o que não é tão comum por aqui.

Em um ato de desespero e como último recurso, o servidor público Renato Oliveira, de 41 anos, buscou a hipnose para tratar a grave depressão que o acometia. “Estava me sentindo mal mesmo com a ajuda de medicamentos. Não conhecia nada sobre a ferramenta, a não ser o que eu via na televisão. Fiquei sabendo através de uma propaganda, em um muro, e os resultados foram surpreendentes”, conta. Segundo ele, a primeira sessão o deixou tão acabado quanto como ele chegou, porque foi uma conversa para o hipnólogo saber sobre a vida dele. “O profissional fez a hipnose em um segundo momento, que foi quando eu comecei a sentir mudanças. Em alguns pontos, foram radicais e imediatas, como o desaparecimento das tendências suicidas que me prejudicavam”.

Práticas

A ferramenta natural não possui contraindicações, podendo ser aplicada em crianças, adultos e idosos. O único cuidado, lembra Lenilson, é que deve-se procurar um profissional bem formado e intencionado para realizar o tratamento. Historicamente, desde que havia ser humano, havia hipnose. A diferença é que ela começou a ser estudada como Ciência apenas alguns séculos atrás. Antes, registros afirmam que tanto a China quanto o Egito faziam uso da ferramenta para diferentes possibilidades.

O hipnólogo explica que o ideal é que as pessoas aprendam a “auto-hipnose”, em que o indivíduo coloca a si mesmo em estado de transe e trabalha suas questões. “Quem utiliza para os estudos tem grandes vantagens, rápidas e efetivas. Quando o estresse aumenta, a tendência é que a capacidade racional diminua. Surgem, então, dificuldades em memorizar, estudar mais, e a atenção não fica tão produtiva”. Com algumas sessões de hipnose, é possível retomar o equilíbrio emocional e um nível bom de memorização. “O estudo torna-se fluido, isto é, a prática de estudar transforma-se em natural”, explica.

Cíntia Borges, que também não conhecia a hipnose antes do tratamento, apreciou de tamanha forma os resultados que foi atrás de cursos para ajudá-la mais. “Aprendi Programação Neurolinguística e faço auto-hipnose. Hoje, busco aprender também sobre técnicas de meditação. Uma coisa puxou a outra”, relata. A administradora explica que começou as consultas por um motivo, e outras questões da vida foram resolvidas, como sua relação familiar: “As mudanças acontecem ao longo das sessões. Muitas vezes, não é imediato. O primeiro passo é acreditar em todo o processo”. Atualmente, Cíntia possui um cargo e reconhecimento melhor, no trabalho, e está subindo degraus para abrir a própria empresa.

O mesmo aconteceu com Renato que, após melhorar da depressão, passou a explorar a hipnose em outras questões que o incomodavam no dia a dia, como situações no trânsito. “Eu me estressava bastante e, atualmente, já tenho mais tolerância. Nesse caso, não houve 100% de melhora, porque, como o próprio hipnólogo explica, “a cada dia pode surgir uma novidade ruim que vai trazer incômodo”. O servidor público afirma que, hoje em dia, passa por situações que o levariam a pensamentos de desistência, antes, mas que agora não conseguem entrar em sua mente. “Foi um resultado definitivo. Eu era um pouco cético antes da primeira consulta, porém me apaixonei pela hipnose, tanto é que considero as possibilidades de fazer um curso e estudar para poder melhorar aspectos em mim sozinho”.

Lenilson se lembra de uma pesquisa que fez análises sobre a dor no ser humano e concluiu que a dor não está na pessoa, mas sim na mente. “É como se, quando sentimos calor ou um corte, a região avisa para o cérebro e o cérebro devolve a informação da dor”. E com a hipnose é possível sublimá-la por conta do alto nível de concentração, ou seja, há a possibilidade de sentir o corte sem a dor. “Existe um caso de uma pessoa que não poderia fazer uma cirurgia importante porque tinha alergia aos anestésicos químicos. Ela encontrou um excelente profissional que fez um trabalho de hipnose prévio que possibilitou a operação sem anestesia”, conta.

Metodologia

Até mesmo Lenilson usufruiu da hipnose, tendo possibilitado que traumas, medos e dificuldades fossem superados, assim como um bloqueio para conversar com pessoas. “É uma capacidade natural, não foi algo colocado em mim. Eu acessei essa capacidade interna, e ela me proporcionou esses benefícios”. No caso da periodicidade, é relativo para cada caso e depende de como a pessoa está se sentindo. Renato conta que frequentava, uma vez por semana, no começo, e o hipnólogo dava a opção de marcar a cada 15 dias se ele estivesse se sentindo melhor. “Ficava ao meu critério a decisão, porque ninguém melhor do que eu mesmo para saber como estava”. Com o tempo, o servidor público diminuiu o número de sessões e, eventualmente, marcava uma nova quando percebesse uma condição que o incomodava.

Cíntia explica que a hipnose de fato é alcançada através de conversa e atenção às sugestões do profissional. As falas são voltadas para o relaxamento do corpo e da mente, como também pedidos para ignorar os barulhos externos. “Meu inconsciente estava antenado com a voz do hipnólogo. Você não está dormindo e não está acordado, mas a mente está em busca das respostas”. Na primeira vez, Renato ficou em dúvida se ele realmente não tinha dormido. “O hipnólogo explicou que existem determinadas expressões no corpo do paciente que mostram que a pessoa não dormiu”, conta. Outro ponto foi que o servidor, em transe, obedeceu à contagem do profissional para acordar, mesmo que não se lembre do que aconteceu durante a hipnose. “Ao sair do consultório, eu já estava mais tranquila”, afirma a administradora.

Em todos os casos, a maior constante é a afirmação de que a ferramenta funciona. “É preciso tentar. A pessoa vai perder o medo quando perceber o quanto a hipnose é boa em tão pouco tempo”, sugere o servidor público. Cíntia assina embaixo ao destacar que viu muita positividade no tratamento. “Não é coisa de outro planeta, é um trabalho sério. Eu me tornei uma nova mulher, e a tendência é melhorar cada vez mais”.

*Victor Lisita é integrante do programa de estágio do jornal O Hoje, sob a supervisão de Naiara Gonçalves.

*A pedido da entrevistada, o nome e a profissão foram substituídos por pseudônimos.

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